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18/08/17 09:28

Pesquisadora do Instituto Geológico apresenta os resultados do projeto de pesquisa Internacional sobre a elevação do nível médio do mar em Santos

A pesquisadora do Instituto Geológico (IG) Dra. Célia Regina de Gouveia Sousa participou de workshop realizado no dia 17 de agosto de 2017 no Teatro Guarany em Santos. Na ocasião a pesquisadora, que integrou um grupo de cientistas internacionais, apresentou ao público os resultados do projeto de pesquisa sobre a elevação do nível do mar que utilizou modelamento digital de projeções climáticas para estimar a elevação do nível do mar e danos em Santos neste século.

O Projeto de pesquisa foi totalmente financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) [Proc. 2012/51876-0] e se denomina “Uma estrutura integrada para analisar tomada de decisão local e capacidade adaptativa para mudança ambiental de grande escala: estudo de caso de comunidades no Brasil, Reino Unido e Estados Unidos”, cuja sigla é METROPOLE. O objetivo foi realizar um estudo detalhado sobre a elevação do nível do mar com previsões até 2100 que envolveu pesquisadores de várias instituições brasileiras (INPE, CEMADEM, USP, UNICAMP, IG/SMA), da americana University of Florida e da inglesa Kings College of London na análise e projeção desse aumento.

O município de Santos foi escolhido para o projeto por ser líder regional em sustentabilidade, por ter uma base de dados de mapeamento georreferenciado bem organizado e apresentar vulnerabilidades costeiras. Outras duas cidades participam do projeto: Condado de Broward (EUA) e Selsey (Inglaterra). O estudo ofereceu às cidades a possibilidade de se antecipar aos fenômenos naturais previstos. Esta foi a primeira vez que o poder público tem em mãos uma pesquisa com nível de detalhamento tão alto de projeção do aumento do nível do mar e variações climáticas. As informações de impactos das mudanças climáticas poderão ser incorporadas nas ações de planejamento local sem custo algum ao município.

A pesquisadora do IG Célia apresentou as áreas de estudo com maior risco de sofrerem impactos com as mudanças climáticas 2 km² na Zona sudeste, onde há cerca de 34 mil habitantes e 1.400 lotes fiscais, e de 11 km² na Zona noroeste, onde vivem 83 mil pessoas em 20 mil lotes. Os gráficos foram confeccionados com dados históricos de ressacas e tempestades divulgados em jornais desde 1960. Dados de Marégrafos e Satélites também foram usados na plataforma COAST (Costal Adaptation to Sea Level Rise Tool), onde foram elaborados modelos de projeções climáticas para 2050 e 2100, com cenários de aumento de nível do mar associado a tempestades. As previsões mínima, mediana e extrema para 2050 são de 18, 23 ou 30 cm, respectivamente. Para 2100, as projeções são de 36, 45 cm e 1 metro.

Além da pesquisadora do IG, também estão envolvidos no projeto os cientistas Dr. José Marengo do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais (CEMADEM), que é o coordenador do Projeto e representante do Brasil no painel da ONU sobre mudanças climáticas; Lucí Hidalgo Nunes (Instituto de Geociências da Unicamp); Roberto Greco (Instituto de Geociências da Unicamp); Joseph Harari (Instituto Oceanográfico da USP); e da Prefeitura de Santos Ernesto Tabuchi (da Secretaria Municipal do Meio Ambiente) e Eduardo Hosokawa (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano).